Integralismo e História

Como muito apropriadamente sentenciou o Historiógrafo e nosso Companheiro, o Prof. Pimentel da Silva, "estamos cansados desses marxistas travestidos de Historiadores". Assim, a finalidade deste Blog é colocar a disposição do Povo Brasileiro a verdadeira História do Movimento Integralista, inclusive, com a fiel transcrição de Documentos Integralistas, quase sempre sonegados ou reproduzidos parcialmente ou adulterados cinicamente pelos pseudo-Historiadores. Além disso, aqui também serão expostos a Filosofia e o Método Integralistas da História. E, ainda, publicar-se-ão relatos sobre a História do Brasil e do Mundo, de Autores Integralistas.
Pelo Bem do Brasil!
Anauê!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Trechos de uma Carta


Plínio Salgado
Em 24 de abril de 1934

Respondo às suas perguntas:

NACIONALISMO E INTERNACIONALISMO

Somos nacionalistas, não somos jacobinistas. Aceitamos idéias universais, repudiamos o cosmopolitismo. Desejamos, no futuro (quando as autoridades nacionais estiverem recompostas) um internacionalismo de Pátrias; renegamos o internacionalismo de indivíduos. As crises atuais (superprodução, os sem trabalho, a insolvabilidade das nações, a luta de classes) têm como causa a crise de autoridade dos governos; a "soberania nacional" é meramente política: A soberania financeira pertence aos banqueiros, ao super-capitalismo. Por conseqüência, a primeira etapa das nações será o nacionalismo que fortalece a autoridade. Nacionalismo compreende todas as forças vivas e atuantes do país. A propaganda Integralista deve, portanto, ser feita no seio das colônias estrangeiras, sem, contudo, se permitir que estrangeiros tenham preponderância no movimento.

Não sustentamos preconceitos de raça; pelo contrário, afirmamos ser o povo e a raça brasileiros tão superiores como quaisquer outros. Em relação ao judeu, não nutrimos contra essa raça nenhuma prevenção. Tanto que desejamos vê-la em pé de igualdade com as demais raças, isto é, misturando-se, pelo casamento, com os cristãos. Como estes não são intransigentes nesse sentido, desejamos que tal inferioridade não subsista nos judeus porque uma raça inteligente não deve continuar a manter preconceitos bárbaros.

RAÇAS E CAPITALISMO

Quanto ao capitalismo judeu, na realidade, ele não existe como tal. O que se dá é apenas uma coincidência: Mais de 60% do agiotarismo internacional está nas mãos israelitas. Isso não quer dizer que sejam eles os responsáveis exclusivos pelas desgraças atuais do mundo. Com o advento do Estado Integralista, por conseguinte a queda da Economia Liberal, o ritmo econômico se altera completamente, passando os governos a exercer controle sobre os fenômenos da produção, da circulação, do consumo e sobre as atividades técnicas e do trabalho. O capitalismo internacional será uma reminiscência de museu. Tornando-se o mundo todo Integralista, a humanidade ficará livre da ditadura das Bolsas e dos aparelhamentos particulares de crédito. A unidade da moeda restituirá a soberania financeira dos povos. O intermediário será um objeto arqueológico. Os conflitos sociais, livres da fatalidade da concorrência internacional que altera o preço dos salários, terão quase solução automática, fortalecendo-se, dess’arte, o prestigio das magistraturas do trabalho. Nessas condições, não podemos querer hoje mal ao judeu, pelo fato de ser o principal detentor do ouro, portanto principal responsável pela balburdia econômico-financeira que atormenta os povos, especialmente os semi-coloniais como nós, da América do Sul. O judeu capitalista é igual a um cristão-capitalista: Sinais de uma época de democracia-liberal. Ambos, não terão mais razão de ser porque a humanidade se libertará da escravidão dos juros e do latrocínio do jogo das Bolsas e das manobras banqueiristas. A animosidade contra os judeus é, além do mais, anticristã e, como tal, até condenada pelo próprio catolicismo. A guerra que se fez a essa raça, na Alemanha, foi, nos seus exageros, inspirada pelo paganismo e pelo preconceito de raça. O problema do mundo é ético e não étnico.

VERDADES HISTORICAS

E já que falamos em ética, focalizo um tópico de sua carta relativo ao "poderio comercial e financeiro do grande povo holandês" em outros tempos. Realmente, no alvorecer do individualismo econômico e da internacionalização do comércio, houve aquele poderio da Holanda, mas não do "povo holandês". Recentemente esse poderio pertenceu ao capitalismo instalado na Inglaterra, mas a miséria do povo inglês foi concomitante. Os movimentos trabalhistas na Inglaterra provam isso; a fixação de Marx e Engels em Londres demonstrou que a opressão do povo criava um clima para as revoltas sociais. O esplendor da City e da Wall-Street não significaram o poder de britânicos e americanos: Miseráveis dormiam nos bancos das Avenidas e a crise dos "sem trabalho" não é uma expressão de poderio. O capitalismo não tem Pátria. Ele se instala onde melhor lhe convém num momento histórico. A sua política é super-nacional porque exprime os interesses fora do âmbito do Estado.

SOLUÇÕES INTEGRALISTAS

Tudo isso vem confirmar o que disse atrás: Criado o Estado Integral, já não interessará a canalização de capitais porque a Economia não será mais regida por um conceito estático, que é o da moeda, transformada em mercadoria, porém pelo conceito dinâmico da produção. As possibilidades da produção e a honra dos governos serão, quando o mundo todo for Integralista, verdadeiros lastros do dinheiro, transformado por um novo sentido de economia, executando seu legitimo papel de agente intermediário, e não mais em algoz do gênero humano, em opressor das nacionalidades, como o Brasil, preso, ha cem anos, na gaveta de Rotschild. No integralismo, o judeu se apaziguará com os outros povos. Raiará uma época de verdadeira fraternidade. O longo fadário, a angustia do israelita cessarão. Esse povo poderá até ter o direito de construir a sua própria nação, entregando-se aos trabalhos do campo e das fabricas, cooperando com sua grande inteligência para a civilização, livre agora das desconfianças que desperta e em que vive, o que o leva a isolar-se e a enquistar-se nas pátrias alheias. Não podemos odiar uma raça da qual saiu Jesus Cristo. Veja, pois, que o nosso ponto de vista é superior a respeito dos problemas. Não combatemos nem raças nem classes: Insurgimo-nos contra uma civilização.

PACIFISMO

Somos pacifistas. Queremos a união de todas as nações sul-americanas porque nossos problemas, nossa escravidão são idênticas. Denunciamos, porém, à Nação uma certa Liga Anti-Guerreira, que é comunista. O pacifismo pregado pela III Internacional está em desacordo: 1º) - com os métodos de violência preconizados por Sorél e adotado pelo bolchevismo; 2º) - com o formidável exército vermelho que escraviza os proletários e os camponeses na Rússia; 3º) - com as guerras ateadas na China pelos agentes de Moscou. - Cumpre notar: Não confundir o nosso pacifismo com passivismo".

PLINIO SALGADO ("Panorama" - Ano I - Abril e Maio de 1936 - Nº 4 e 5 - págs. 3, 4 e 5.)

RESISTINDO ÀS ONDAS.

 Ítalo Dal'Mas*

Ao comentar o livro "O Ritmo da História", de Plínio Salgado, Gumercindo Rocha Dórea alertou os brasileiros sobre a existência de boicote covarde e pusilânime contra a obra do grande pensador. Historiadores conscientes da censura ideológica ao pensamento político doutrinário do escritor perguntam: que espécie de cultura brasileira é essa que persegue os gênios condenando-os ao silêncio?

Para o mal do Brasil, entretanto, continua a faina difamatória contra o fundador da Ação Integralista Brasileira. Renato Alencar Dotta, mestrado em história pela USP e historiador do Museu Barão de Mauá, na revista Raízes (nº 27 p 42), em "Fragmentos de uma história esquecida: o integralismo no ABC", com base em notícias de jornais, memórias esparsas e testemunhos inquinados de vícios, declara que a doutrina integralista possuía caráter autoritário (p.42), que os galinhas-verdes e as crianças usavam símbolos ou indumentária fascista e que em 11 de maio de 1938 os integralistas assaltaram a residência de Getúlio Vargas à mão armada. As narrativas históricas do emérito professor, todavia, como confessa, não são analíticas, mas meramente factuais e revelam completo desconhecimento da doutrina pliniana.

Porquanto:
1º) Plínio Salgado sustentava o Estado Integral de natureza ética. O Estado Integral defende a integridade da pessoa humana e o livre arbítrio do cidadão. Combate toda forma de totalitarismo, nazismo, fascismo ou comunismo. Admite a ordem, princípio de coesão e de autoridade. Ordem não como obediência incondicional. Ordem necessária à liberdade e à segurança. Da ordem deriva a hierarquia que não representa obstáculo à democracia, nem é forma de totalitarismo. Hierarquia é visão da totalidade, visão que evita os conflitos entre moralidade e dever. Totalidade nada tem a ver com totalitarismo, que significa a deturpação política e indica o monopólio do poder diverso do termo totalista de natureza cristã, oposto às ditaduras do espírito.

2º) Para melhor apreensão de sua doutrina, Plínio Salgado, usando a linguagem simbólica da época, manifestou sua doutrina através dos símbolos: bandeira em campo azul com círculo branco e dentro deste a letra grega sigma. Os símbolos, aliás, falam mais que as palavras e os conceitos. Possibilitam apreensão imediata e intuitiva das idéias. Os jovens e as crianças, para manifestar seus desejos e suas aspirações, adotam a simbologia, uma forma de conhecimento para indicar os vôos da esperança e dos sonhos intensamente vividos. Os símbolos não podem ser reduzidos a meras ostentações bélicas, o que é indesculpável leviandade.

3º) O assalto ao Palácio do Governo de Getúlio Vargas, em 11 de maio de 1938, não foi atentado Integralista. Trata-se de versão típica da vulgata comunista. A realidade histórica é a seguinte: após o fechamento dos partidos, Plínio Salgado procurou entendimentos com outros políticos para restaurar a democracia no Brasil. Civis e militares apressados resolveram, por conta própria, atacar o Palácio Guanabara. Os principais articuladores foram Euclides Figueiredo, Octávio Mangabeira, Flores da Cunha, auxiliados pelo comunista Tenente Severo Fournier, segundo Sobral Pinto (Pedro Calmon, “Miguel Calmon - Uma Grande Vida" - José Olímpio Editora / Pró-Memória - 1983, p.170).

Não obstante o boicote e deturpação do pensamento, Plínio Salgado permanece como gigantesca rocha, resistindo às ondas da covardia e alienação.
(Publicado na “Tribuna do ABCD”. Ano XII - Nº 538 de 26 de Julho de 2003 - Net. 57 - Diretor Editor Responsável: Antonio Julio Pedroso de Moraes)

* Σ - Jurista e Historiador – São Caetano do Sul - SP.

Mas, podem existir outras Ondas, que, pulverizando uma civilização fossilizada, formarão o Brasil Integral.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O que pensava Miguel Reale sobre Gustavo Barroso


Miguel Reale
“...era um companheiro admirável. Alto, de porte marcial, parecia ter nascido para comandante da milícia, a cujos desfiles assistia com olhos saudosos dos heróis que cultuara em suas pesquisas históricas, ostentando no peito as condecorações que o envaideciam. Quando, porém, se tinha a fortuna de conhecê-lo na intimidade, o que deparávamos diante de nós era um homem simples e afável, com muito do recato da vida sertaneja. Nas longas viagens pelo ITA, contava-nos eles casos e mais casos do Nordeste ou da Guanabara, com uma verve espontânea e aliciante, assim como gostava de referir-se aos estudos históricos que haviam desfeito falsas glórias das armas argentinas ou uruguaias, nas guerras platinas, restituindo valores devidos ao exército brasileiro. De um patriotismo exemplar, entrara para o Integralismo seduzido pelo ideal nacionalista, assim como pelo amor que dedicava aos valores da ordem e da hierarquia na luta contra o comunismo, que ele inseria no quadro de um combate universal à "conspiração judaica". Como me opunha a alguma de suas idéias, chamava-me de "judeuzinho", mas, no fundo, era um sentimental, incapaz de compartilhar com as futuras atrocidades de Hitler contra o povo israelita."

REALE, Miguel. Memórias: Destinos Cruzados. São Paulo: Saraiva, 1987. Pág. 99.

domingo, 12 de dezembro de 2010

O Mercosul, para os Integralistas é sonho antigo

O Companheiro Leo Matos numa manifestação Integralista em São Paulo(SP).
Leonardo Matos*

Muitos desinformados ou mal intencionados falam do Integralismo sem saber realmente o que significa a Ideologia do Sigma. Muitos sabem que se o Integralismo cair novamente no conhecimento público, um levante centena de vezes maior que o da década de 30 irá varrer nossa nação em demonstração de amor e paixão a pátria. O acesso ao verdadeiro Integralismo está sendo facilitado graças a Internet, e com isso os comunas e neoliberais já começam a espernear mentiras sobre o integralismo visando minar nossa inevitável reconstrução. As propostas do Integralismo são coerentes, realistas e por mais antiga que a doutrina seja, suas idéias permanecem atuais.

Um exemplo disso é o Mercosul, que passa nos tempos de hoje por uma séria crise, pois o governo Brasileiro se acovardou e não tomou o comando do Mercosul. O Brasil tem que ser o país líder do Mercosul, pois tem tamanho geográfico e acima de tudo potencial econômico para isso.

Num Estado Integralista, o Mercosul estaria funcionado a pleno vapor, com todos os paises Sul-Americanos potentes economicamente para fazer valer seus direitos Internacionais. Num Governo Integralista o Brasil seria o carro chefe de um bloco econômico forte e nacionalista.


O Mercosul, idéia que para os desinformados surgiu apenas recentemente, para os Integralistas já é um sonho antigo. A prova disso está nessa transcrição do "Manifesto Programa da Ação Integralista Brasileira" (1936), que era o programa que a AIB utilizou na campanha para a eleição presidencial de Janeiro de 1938, e que não aconteceu devido ao golpe de Getúlio Vargas em 10 de Novembro de 1937.

O programa dizia no capitulo que trata da política externa Brasileira:

"Antes de tudo, criar um espírito novo, absolutamente novo, na diplomacia brasileira, reatando as tradições históricas e, ao mesmo tempo, elevando o nível cultural e técnico de todo o funcionalismo do Ministério do Exterior, criando um clima de entusiasmo e supervisão de problemas de ordem externa, renovando a consciência e a mentalidade diplomática, empreendendo assim uma obra de grande envergadura como jamais se imaginou no Brasil. A objetivação de uma unidade moral, cultural, política e econômica na América do Sul; a completa independência do Continente Sul-Americano das influências de estranhos; a uniformidade de ação, a solidariedade completa na solução dos problemas comuns às nacionalidades do Novo Mundo, desde os de ordem econômico-financeira aos culturais - eis um plano a ser executado com firmeza e habilidade, com espírito de fraternidade continental e de brio latino-americano".

E dizia ainda:

"O Integralismo não compreenderá senão como uma vil humilhação para os povos do Continente a mais leve interferência de nacionalidades a ele estranhas na solução de litígios, sejam eles quais forem, entre os países livres da América do Sul. Executar uma política firme, que, gradualmente, extinguindo desconfianças recíprocas, consolide a amizade entre as Nações Latinas do Novo Mundo, marche, com segurança, para a realização de uma grande unidade continental, é um dos grandes propósitos do Integralismo. Pois o Integralismo não deseja apenas a libertação do Brasil, mas de todos os seus irmãos deste hemisfério".

E o programa Integralista trata agora, veja bem, EM 1937, quando a política econômica Sul-Americana ainda era levada no modo "cada um por si", da criação do Mercosul:

"Já é tempo de se pensar na extinção das barreiras alfandegárias entre as Nações sul-americanas, na criação de um Instituto econômico e político, permanente, em que se representarão todos os governos dessas Nações, estabelecendo as bases de uma consciência jurídica própria, de um critério econômico-financeiro uniforme, de uma política homogênea, sem hiatos, sem tergiversações, de uma cultura expressiva das forças profundas da América Latina. Obra para várias gerações, ela se iniciará com a projeção intelectual, econômica e sentimental do Brasil, que só se poderá realizar mediante um novo espírito de política exterior, que o Integralismo pretende criar".

E isso é apenas um dos exemplos, encobertos pela mídia, agente da manipulação histórica anti-integralista, que mostra que o Integralismo mesmo antes de existirem PTs e PSDBs, antes da criação de PMDBs e PFLs, antes da politicagem tomar o lugar da política, em nosso pais, já anunciava e previa todas as medidas que melhorariam a vida do Brasil. Muitas idéias Integralistas hoje são postas em prática. Isso é bom, porém os agentes que põem em prática essas medidas alem de não lembrar o nome do Integralismo ainda o esculacham falsamente quando tem oportunidade.

* Σ – São Paulo – SP

domingo, 5 de dezembro de 2010

Cascudo não renegou seu passado Integralista

Câmara Cascudo e outros Integralistas de Natal(RN)
Luiz Gonzaga Cortez*


Diversos veículos de comunicação social do país, nos dois últimos anos, principalmente em 1999, em função do seu centenário do nascimento e do quarto centenário de Natal, publicaram reportagens, entrevistas e artigos diversos sobre o escritor natalense Luiz da Câmara Cascudo, um dos monumentos da cultura norte-rio-grandense.

E por ter sido uma figura de proa da inteligência da terra, Cascudo, que não era gênio, presunçoso, antipático nem vivia com o rei na barriga, como muitos intelectuais conterrâneos, foi uma figura ímpar, simples, modesto e digno. E dentro dessa dignidade, há um detalhe honestíssimo que não pode ser maculado por ninguém: ele jamais renegou a ideologia integralista.

Os intelectuais potiguares que participaram da Ação Integralista Brasileira (AIB) - a versão cabocla do fascismo italiano, fundada pelo escritor e advogado Plínio Salgado, em 1932(1) - e que tiveram atuação mais destacada foram Luis da Câmara Cascudo, Manuel Rodrigues de Melo, Otto de Brito Guerra, Antonio Soares de Araújo Filho, Edmundo de Melo Lima, Valdemar de Almeida, Hélio Galvão e José Augusto Rodrigues, entre outros. Nenhum deles renegou o seu passado integralista, ideologia que reunia cristianismo, nacionalismo, indianismo, estatismo(2)o e respeito aos direitos humanos, sob o lema de "Deus, Pátria e Família".

Mussolini e Hitler tinha admiradores nas fileiras da AIB em todo o país, principalmente nas regiões sul e sudeste.(3) Mas Cascudo, que não foi anti-semita nem espião nazista, jamais negou que era um ex-integralista, jamais renegou a ideologia fascista brasileira e não se têm provas (um rumor, um boato ou uma soprada no ouvido de alguém sério) de que tenha tocado fogo nos livros, jornais, revistas, camisas, emblemas e dísticos integralistas.

Foi a partir do final de 1998 que começaram a surgir declarações, atribuídas a um filho do grande escritor, de que Cascudo tinha renegado o integralismo e se arrependido de ter vestido camisa verde. Veja bem, caro leitor, somente mais de doze anos depois da morte de Cascudo é que surgiram essas frágeis versões. Em vida, na época em que estavam vivos o dr. Otto Guerra, dr. Clóvis Travassos Sarinho, Manuel Rodrigues, Hélio Galvão e Manuel Genésio, quem se atreveu a dizer que Cascudo tinha queimado os documentos e livros integralistas? Ninguém. Na verdade o que Cascudo abjurou (não confundir com renegou) foi à maçonaria. Nos anos 30/40, Cascudo foi forçado pela Igreja Católica a abjurar a maçonaria, pois caso contrário, não receberia o título de Comendador, concedido pelo Vaticano, que, na época, mantinha relações estreitíssimas com o Duce Benito Mussolini.

Quem duvidar, fineza procurar o professor José Melquíades, que está aí vivíssimo para confirmar e detalhar esse episódio. E mais: na década de 50, quase 20 anos após a extinção da AIB, quando os ex-integralistas(4) estavam reagrupados no Partido de Representação Popular-PRP, também criado por Plínio Salgado, Câmara Cascudo, apesar de afastado da militância política (não se filiou ao PRP), assinava os jornais integralistas Idade Nova e A Marcha. Cascudo não gostava de críticas descabidas ao integralismo, principalmente de pessoas que não tinham lido nada sobre a ideologia de Plínio Salgado. "Jamais renegou os seus princípios e não negava a sua condição de ex-integralista", escreveu o falecido médico Clóvis T. Sarinho (Fatos, Episódios e Datas que a memória gravou, Editora Nordeste, 1991, Natal, páginas 183 e 184).

Na série de reportagens que publiquei no Diário de Natal, a partir de 01 de julho de 1984, “A Pequena História do Integralismo no RN”, mais tarde republicadas em livro editado pela Fundação José Augusto e Clima, cometi o deslize de escrever que o dr. Otto Guerra tinha declarado que Cascudo tinha renegado o integralismo. O dr. Otto mandou uma carta de desmentido, publicada na edição de "O Poti" de 08.07.1984, p.10, da qual extraio o seguinte trecho: "...Minha segunda retificação prende-se ao escritor Luís da Câmara Cascudo, antigo e dedicado "Chefe Provincial" do integralismo no Rio Grande do Norte, durante algum tempo. Nunca o ouvi renegar o seu passado integralista, nem tenho provas disso. Num dos seus livros - "Viajando o Sertão"- ele fala abertamente na sua filiação integralista. Note-se que esse livro foi reeditado faz pouco tempo e Cascudo não alterou ou retirou uma linha do que antes escrevera. Seria pois grave injustiça de minha parte atribuir ao meu velho amigo e mestre, a quem tanto devo na minha formação cultural, uma atitude que desconheço".

Eduardo Maffei(5), escritor paulista, já falecido, esteve em minha modesta residência em março de 1987 e disse-me que admirava muito Cascudo e um dos motivos que lhe causava mais admiração era que ele ainda tinha idéias integralistas (Maffei conheceu-o em Recife, em abril de 1940). Câmara Cascudo foi um dos intelectuais expoentes da Ação Integralistas Brasileira. Escreveu artigos para as publicações integralistas A Ofensiva, Panorama e Anauê, entre outras, na década de 30, até a extinção da AIB, em novembro de 1937.

Alguns desses artigos estão reunidos no livro "Câmara Cascudo, jornalista integralista", publicado pelo Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte que, segundo o escritor Itamar de Souza, é obra indispensável para se conhecer o lado político de Luiz da Câmara Cascudo.(6)

* Luiz Gonzaga Cortez é Jornalista  e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte.

Notas do Blog "Integralismo e História":
1) O Integralismo não é a versão cabocla do fascismo, isso é desconhecimento ou preconceito do Autor. Plínio Salgado era Jornalista e não advogado.

2) O exame atento de Documentos Oficiais Integralistas, como o “Manifesto de Outubro”, as “Diretrizes Integralistas”, o “Manifesto Programa de 1936”, entre outros, demonstra cabal e insofismavelmente que o Integralismo jamais foi estatista.

3) Hitler e Mussolini tinham admiradores em todo o Brasil, mas, onde eles menos proliferavam era justamente nas fileiras da AIB. O Integralismo desenvolvia um trabalho de integrar na Pátria Brasileira os filhos e netos de alemães e italianos, o que desagradava principalmente os hitleristas.

4) O Autor comete um equívoco muito comum, o de achar que Integralista é apenas aquele que militou na Acção Integralista Brasileira. Na verdade, Integralista é todo aquele que é adepto do Integralismo. Assim, ex-Integralista é apenas aquele que deixou de seguir a Doutrina do Integralismo e adotou uma outra posição política (liberalismo, anarquismo, comunismo, etc.).

5) Depoimento insuspeito, pois, o sr. Eduardo Maffei era um comunista militante.

6) No início de 2008, encontrei nos meus guardados o Artigo acima, infelizmente, sem indicações de procedência. Mesmo assim, considerei-o esclarecedor e de publicação indispensável. Posteriormente, consegui contatar seu ilustre Autor, que generosa e democraticamente, autorizou por e-mail tal publicação. Agora reedito-o, pois, é de grande importância a sua ampla difusão. Recentemente descobri que uma versão ampliada deste artigo está publicada em Livro cuja leitura tomamos a liberdade de sugerir: CORTEZ, Luiz Gonzaga. "Câmara Cascudo, o Jornalista Integralista". [2. ed.]. São Paulo: Edições GRD, 2002.

 

domingo, 28 de novembro de 2010

Como Estudar Plínio Salgado


Humberto Pergher
Humberto Pergher*

O artista ao modelar o barro para dele extrair uma estátua, não só deixa em sua superfície estampados seus traços digitais, muito mais que isso concretiza na obra a sua idéia e personifica nela seu próprio ser de tal maneira, que esta passa a ser seu retrato mais ou menos fiel conforme a perfeição da obra. Através dela entra-se em contato com a riqueza interior, a vibratividade e euritimia do artista e do homem, para com ele sentir as mesmas emoções.

Pode-se ainda entrar em contato, em comunhão íntima de paixões e idéias pela simples visão do artista, ouvindo-o falar especialmente quando à riqueza de vibração aliar uma espontaneidade de expressão oral e mímica; quando à cadência e ao fluir ligeiro do verbo aliar a agudeza de olhar que magnetiza; quando à grandiosidade e profundidade de idéias, quando a sonoridade da voz e intensidade de emoções, à majestosa estruturação do período aliar, paradoxalmente, uma incompreensível pequenez física talhada duramente pela adversidade e pela luta.

Pois esta visão íntima do homem em sua diáfana transparência esta simbólica vivência de idéias e emoções, esta aterradora pequenez do homem frente ao espírito já a experimentaram todos quantos ouviram uma conferencia de Plínio Salgado. Despe-se imediatamente o espírito do ouvinte de quantos atavios por ventura se ache emaranhado e em sua original candura entra em união intelectual com o conferencista, para sorver gota a gota, o néctar que este destila, modicamente, de início; em ritmo crescente, logo após; e, por fim, em torrentes incontidas ocupando o intelecto e a sensibilidade do ouvinte de maneira tão completa que o tempo perde seu valor. Aqui, mais que em qualquer parte, manifesta-se a pequenez do homem ante o infinito e sua grandeza no finito.

Entrechoque da grandiosidade das idéias com a violência dos sentimentos despertados nos espíritos, busca escape emotivo nos vibrantes aplausos e nas palmas espontâneas de quantos auditórios travem contato íntimo com o espírito de Plínio Salgado. Não há necessidade de anterior conhecimento da vida deste escritor, nem tão pouco de suas idéias, de suas lutas, de seu sofrimento em ver sua Pátria, que deseja grande, pujante e cristã, tão amesquinhada, traída tantas vezes, e cada vez mais enfraquecida em suas forças vitais. É suficiente ver sua pessoa, fisicamente pequena e abatida, transformar-se subitamente em um gigante que domina completamente toda uma multidão pela grande e eloqüente cadência de seu verbo, para sentir com o orador um amor imenso por esta terra que é nossa, uma dor pungente pela desdita que a abate, e a necessidade imperiosa de lutar pela sua re-cristianização, único meio de salvá-la e fazê-la feliz.

É suficiente este contacto auditivo - visual – intelectual - emocional para ter-se o homem todo em toda sua riqueza, em toda a sua grandeza intelectual e moral. Então se compreende sua incrível obstinação em lutar, mesmo que seja sozinho, em sacrificar sua grande vocação para a literatura e “recomeçar mil vezes se for preciso para salvar o Brasil”.

Entretanto, muito restrito é o número dos que podem, por este contato direto assimilar os ensinamentos de Plínio Salgado. A grande maioria dos brasileiros deve fazê-lo pela leitura de suas obras embora em todas as suas obras esteja, em sua totalidade, o homem que dedicou sua vida à causa de Cristo e do Brasil, devido à predominância de um dos aspectos de sua doutrina, poderia o leitor ser levado a um conhecimento parcial e, por isto mesmo, falho, do homem e de seu pensamento.

Pela obra se chega ao autor e pelo autor se compreende a obra.

Por onde se vê ser necessário um conhecimento biográfico do autor para melhor compreensão de sua obra. Urge situá-lo em sua época, no meio em que vive, para conhecer quais as influências do ambiente sobre ele e as suas reações. É necessário saber qual a sua formação religiosa, qual sua adaptação social, para melhor compreender e interpretar as idéias mestras de sua doutrina.

No caso do autor da “Vida de Jesus”, torna-se indispensável saber de seu espírito profundamente cristão, conhecer os laços afetivos que o ligam ao Brasil desde os seus ternos anos, quando num ambiente familiar essencialmente cristão aprendeu a amar a Deus e à sua Pátria. Conhecida sua biografia e tendo presente estes fatores fundamentais, pode-se começar o estudo de seu pensamento sociológico e filosófico pela leitura de suas primeiras obras, os romances “O Estrangeiro”, “O Esperado”, “O Cavaleiro de Itararé”, e a “Voz do Oeste”, nos quais procede a um largo estudo social do homem do interior paulistano, em páginas de rara sensibilidade artística e profundo senso objetivo, cônscio do papel do literato no aprimoramento da sociedade.

Nestes seus romances estão lançados os princípios de toda sua doutrina sociológica, política e filosófica. As inúmeras obras que se seguiram são desenvolvimentos dos princípios anteriormente esboçados. O leitor das obras de Plínio Salgado terá sempre presente o espírito profundamente cristão do autor voltado para a realidade brasileira, esperançoso de ver o Brasil cumprir sua missão histórica da qual se fez para sempre o mesmo incansável batalhador, durante sua vida e após ela na duração de seus escritos. Porém, de todas as obras de Plínio Salgado é na “Vida de Jesus”; que mais alto se ergueu seu gênio. Neste livro uni-se a piedade cristã a alma do artista, o espírito do pensador e a visão do homem público para burilar incontestavelmente a maior pérola da literatura brasileira. Na “Vida de Jesus”, os moços brasileiros têm a obra prima do artista, do sociólogo, do cristão, onde a identificação do autor se faz em cada linha e onde seu pensamento se concretizou para a eternidade.

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É este Plínio Salgado fervorosamente cristão e perdidamente brasileiro que deve ser compreendido em primeiro lugar e está sempre presente ao estudioso de suas obras e de seus escritores. Só assim haverá a perfeita compreensão em sua honestidade intelectual, em sua sensibilidade profundamente humana, em seu ardor apostólico, na crueza apocalíptica de sua analise social do nosso tempo e na certeza absoluta dos superiores destinos do Brasil.

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* Publicado originalmente em “A Marcha”, 12/02/1954, e posteriormente reproduzido no Vol. VIII da “Enciclopédia do Integralismo”.

domingo, 21 de novembro de 2010

Eu vi o 11 de Maio!

Arcy Lopes Estrella, de pé. Sentado a cabeceira da mesa, o Companheiro Ubiratan Pimentel.

Arcy Lopes Estrella*
Data do ataque de alguns Integralistas ao Palácio Guanabara, no Rio de janeiro, durante a presidência de Getúlio Vargas, em 1938


Às 22 horas do dia 10 de maio de 1938, saia eu do Liceu de Artes e Ofícios na Avenida Rio Branco do Rio de Janeiro, onde estudava no horário da noite.

No Largo da Carioca, tomei o bonde com destino à residência, rua Cargo Coutinho próximo ao Largo do Machado, onde saltei. Havia aí, o famoso “Café Lamas”, ponto de reuniões dos boêmios do bairro.

Naquela noite, era o popular Grande Otelo que fazia o programa. Resolvi entrar. Lá pelas 12 horas, as luzes se apagaram. Que teria acontecido? Ninguém sabia. A gerencia do Café providenciou um Lampião... e a festa continua... Resolvi sair. Na Praça, vejo sair da rua Dois de Dezembro, vários caminhões conduzindo nas carrocerias homens vestidos de macacões azuis e lenços brancos ao pescoço. Não havia iluminação, mas a noite estava clara. Os veículos contornavam a Praça e seguiam pela rua das Laranjeiras. A nossa primeira impressão, era que se tratasse de funcionários da Companhia de Eletricidade, cuja usina ficava no quarteirão entre as ruas Machado de Assis e Dois de Dezembro. Fui dormir.

No dia seguinte, fui trabalhar numa tinturaria na rua do Catete próxima à praça José de Alencar. Ali chegando, encontro-me com o Sr. José Carvalho o proprietário do estabelecimento. Ele como eu, pertencíamos ao Núcleo Integralista das Laranjeiras, cujo chefe, era o saudoso Dr. Rocha Vaz. Disse-me o Sr. Carvalho: “estão anunciando pelo rádio que os integralistas invadiram esta noite o Palácio Guanabara. Você não sabe de nada? Não, respondi, Me determina então o Sr. Carvalho: “Você fica dispensado hoje, mas, fica com a bicicleta. Procure ver o que está acontecendo. O que souber, venha me dizer”.

Assim foi feito. Minha primeira iniciativa, foi pedalar com destino ao Palácio Guanabara.

Rodei pela praça José de Alencar, rua Marques de Abrantes e dobrei na Payssandú. A certa altura, defronto com um grupo de homens que vinham a passos largos. Um dos homens me pareceu ser da policia. Fez sinal para que eu me afastasse. Apeei da bicicleta e a encostei numa palmeira. Era o Presidente Getulio Vargas que caminhava com destino o palácio do Catete, alias, como fazia todas as manhãs, passando em frente a nossa loja. Passando o grupo, continuei a minha rota. Na Pinheiro Machado, onde tem sede o Guanabara, não pude entrar. Ali estava um Batalhão de soldados. Volto à tinturaria. O Sr. Carvalho me diz: “O Getulio, passou agora mesmo”, e que o Tenente Fournier Junior, se encontrava exilado na Embaixada Italiana. Apanhei na vitrine, um terno de roupa e simulei a entrega a fregueses. Rodei para a Sede da Embaixada que ficava nas Laranjeiras. Também ali não pude entrar. A policia cercava.

De volta, entro na Igreja no Largo do Machado para rezar. Ao terminar as minhas orações, fui chamado pelo Padre, para uma pequena reunião que se fazia no Salão Paroquial. Vou à loja e volto em seguida para a reunião. Nesta, foi criado um grupo de assistentes sociais que se destinava a ajudar ás famílias dos presos políticos. Eu me apresentei como voluntário. Graças a Deus, o trabalho dos sacerdotes foi um sucesso! Trabalhei até o mês de Julho do ano seguinte, quando após libertar da policia política o Companheiro Manoel Paixão, o “Baiano”, um motorista da praça, tive que, numa fria madrugada, me mandar para a Vila Militar, onde assentei praça voluntariamente, no Regimento – Escola de Cavalaria Andrade Neves, de onde, após a minha incorporação, tive licença para voltar ao Catete, indo, em primeiro lugar, à Igreja onde dei ali por fim, o meu trabalho. Fiz uma boa confissão. Nossa Senhora, muito me ajudou.

Na década de 70, o General Jayme Ferreira da Silva fazia reuniões de Companheiros em seu escritório no Centro da Cidade. As reuniões se faziam aos sábados. Em uma dessas tardes, conheci então, o Almirante Julio Nascimento, que disse ter sido o Comandante-Chefe do Levante ao Guanabara em 11 de Maio de 1938, quando na época era oficial – Tenente da Escola Naval. Em palestra, fez um histórico do acontecimento. Disse-nos o Oficial, que “depois de 3 horas de espera pelo reforço que nunca chegava, conforme o combinado, teve que ordenar a debandada de seus comandados, ficando apenas um pequeno grupo que resistiu, sendo estes presos e desarmados e sumariamente fuzilados às 5 horas da manhã”. As nossas homenagens aos bravos integralistas que morreram pela Liberdade e a Democracia!


* ∑. Fundador do Centro Cultural Plínio  Salgado (CCPS), em Rio do Ouro, Município de São Gonçalo (RJ), e editor do Boletm “Alerta!”. Nasceu em Rio Bonito(RJ), em 24 de Junho de 1917, e foi transferido para a Milícia do Além em 12 de Janeiro de 2004.