Integralismo e História

Como muito apropriadamente sentenciou o Historiógrafo e nosso Companheiro, o Prof. Pimentel da Silva, "estamos cansados desses marxistas travestidos de Historiadores". Assim, a finalidade deste Blog é colocar a disposição do Povo Brasileiro a verdadeira História do Movimento Integralista, inclusive, com a fiel transcrição de Documentos Integralistas, quase sempre sonegados ou reproduzidos parcialmente ou adulterados cinicamente pelos pseudo-Historiadores. Além disso, aqui também serão expostos a Filosofia e o Método Integralistas da História. E, ainda, publicar-se-ão relatos sobre a História do Brasil e do Mundo, de Autores Integralistas.
Pelo Bem do Brasil!
Anauê!

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

“Brazilianists” e seu livros

Parte superior da 1ª página de O Integralista.

Gumercindo Rocha Dorea*

A avalanche dos estudos norte-americanos que, durante muito tempo, vinha obstruindo os caminhos da verdadeira interpretação histórica da vida brasileira – contemporânea ou não -, como que diminuiu inesperadamente. Não sabemos se por falta de verbas – o que é difícil de acontecer, pois as Universidades e Fundações estadunidenses estão sempre com as bolsas cheias para quem pretende estudar e pesquisar -, ou se pela falta de motivos que eles consideram e lhes mereçam a atenção.

Não obstante, as livrarias apresentam sempre novos títulos dos nossos vizinhos do norte. O último logo nos despertou a atenção, pela simples razão de que muito vivenciamos o tema por ele abordado: as eleições presidenciais de 1955. Disputavam, nessa época, Juscelino Kubitschek, Ademar de Barros, Juarez Távora e Plínio Salgado. O título da obra (muito reduzida, aliás, para o assunto), é: Como se faz um Presidente – A Campanha de JK.

Edward Anthony Riedinger é o felizardo que, financiado pela Ford Foundation, durante quatro anos (1968 -1972) perlustrou as Universidades de Chicago, Harvard e Oxford, pesquisando sobre “história brasileira” na Biblioteca do Congresso, em Washington, e em várias outras do Rio de Janeiro. Lamentavelmente, porém, mais uma vez vimos ser confirmada aquela assertiva popular de que o parto da montanha deu à luz um ratinho... e, o que é pior, deformado.

As andanças, os vôos, os jogos políticos e seus contatos, para todos estes setores a obra de Riedinger pode servir de roteiro. No tocante às informações sobre as várias personalidades que circularam na época, entretanto, se tomarmos apenas a figura de um dos candidatos, Plínio Salgado, imediatamente a desconfiança se implanta, não só pela superficialidade com que o autor reveste suas análises, como pelas informações totalmente erradas que transmite aos incautos leitores das trezentas páginas que compõem o livro.

Se, após quatro anos de pesquisa, o “brazilianist” norte-americano comete erros tão gritantes nas referências que faz ao criador do Integralismo brasileiro, como depositar confiança nas outras informações concernentes à disputa presidencial em que estavam envolvidos Ademar, Juarez e Juscelino?

Não vem ao caso, neste momento, saber se Riedinger gosta ou não de Plínio Salgado ou de seu pensamento político. Critica-se aqui o papel de quem pretende ser historiador e cuja obrigação é retratar, analisar e concluir, com dados honestamente acumulados e que decorrem de pesquisas isentas de paixão ou de ressentimentos infundados, quando não meramente gratuitos. Inverter o ritmo dos acontecimentos, ou deformá-los ao calor de posições partidárias não é o papel de quem pretende transmitir um conhecimento adquirido.  O falseamento, as piadas conclusivas ou o erro, como tal, nas informações, não é próprio do historiador consciente de seu mister.

Vamos aos dados, alguns somente, pois é-nos impossível, em poucas linhas indicar todos os erros cometidos pelo financiado pesquisador. A pág. 137, dois deles: “Vargas resolveu criar o seu próprio regime ditatorial, o líder integralista foi forçado a fugir para o exílio” e “Kubitschek recompensou Salgado dando-lhe o único cargo executivo federal que ele exerceu na vida: Plínio Salgado foi diretor do Instituto de Imigração e Colonização”.

Em que língua o termo “exílio” traduz uma “fuga”? Exilado foge? Quem está preso, é posto num navio e enviado para o exterior, contra a sua vontade está fugindo? Washington Luiz fugiu? Júlio Mesquita Filho fugiu? Euclides Figueiredo fugiu? Miguel de Unamuno fugiu? Pedro II fugiu? Napoleão fugiu?  Não acreditamos que o professor William H. MacNeill, da Universidade de Chicago, cujo “profundo e incisivo conhecimento da História foi fundamental” para a “compreensão do presente e do passado” de Edward Anthony Riedinger, lhe tenha propiciado tamanho despautério exegético...

Com quatro anos de pesquisa e o dinheiro da Ford Foundation, como conseguiu o “historiador” norte-americano saber que Plínio Salgado foi “diretor” do extinto INIC? Esta autarquia foi entregue ao Partido de Representação Popular, certo,  e o signatário destas linhas ocupou, por duas vezes, mais de uma de suas diretorias. Plínio Salgado, porém, jamais ocupou qualquer cargo público  - a não ser eletivo- em toda sua longa existência. E muito menos numa simples autarquia federal.

Há mais. Ficaremos, por hoje, somente nestes dois erros de palmatória, que dão perfeitamente o tom de aventureirismo de quem, não participando da vida brasileira, tenta interpretá-la. Para os  norte-americanos vá lá, afinal o dinheiro é deles e a manipulação da História visa atender a objetivos que ignoramos. Mas para nós, brasileiros, torna-se inconcebível que uma editora, no caso a Nova Fronteira, lhe dê guarida, sem ressalvas acauteladoras, permitindo-nos, assim, que lamentemos o dinheiro gasto, que bem melhor seria aproveitado na aquisição de outro, livro.

Publicado originalmente em “O Integralista”, Rio de Janeiro:  Ano  I, Nº 3, Agosto/Outubro de 1989; pág. 2.


*  ∑. Editor. São Paulo (SP).

domingo, 19 de outubro de 2014

UM COMBATE INADIÁVEL

Gumercindo Rocha Dorea*


Guilherme Cabrera Infante, indagado pelo Jornal da Tarde (São Paulo, 18.7.96) do motivo porque afirma ter "a história morrido em Cuba", respondeu ele ter Fidel Castro construído "uma história à sua medida" e que, por isto, "a história parou".

É o que sentimos ao compulsar os livros "didáticos" de todos os níveis, ou as memórias que, repentinamente, começam a espoucar nas prateleiras das poucas livrarias existentes no Brasil.

A nossa História, após Getúlio Vargas e seu aborto político, o Estado Novo, por incrível que pareça, vem sendo ainda escrita sob a visão do ditador tupiniquim ou da ideologia marxista, que ostensivamente passou a dominar as cátedras universitárias e secundárias, com a conivência dos bem-pensantes, amedrontados de se definirem positivamente.

A História parou, no Brasil, pois, sendo ela escrita ou proclamada sob o prisma da falsidade ou do escamoteamento de provas documentais, deixa automaticamente de existir. No Brasil os livros "didáticos" constituem o mais lamentável ersatz da verdadeira História, produzidos como são, um após o outro, repetindo a mesma algaravia imposta aos jovens que, nos bancos escolares, deveriam receber as lições verdadeiras escritas pelos homens no seu dia-a-dia. As poucas exceções, como sempre, confirmam  a regra.

As indagações se impõem: que sabem os jovens de hoje sobre a democracia integralista? Que sabe a mocidade de nossas escolas sobre a integração racial que a doutrina pliniana concretizou, ou que os líderes negros Sebastião Alves e Abdias do Nascimento participaram ativamente da Ação Integralista Brasileira? Que sabem os moços, que proporcionam fortunas aos donos dos famigerados "cursinhos", sobre a posição dos integralistas na II Grande Guerra de nosso século? Que informação têm os estudantes de nossos cursos de como a AIB arrecadava os fundos necessários à sua atuação em todo o Brasil, com os quais mantinha milhares de escolas e consultórios? Que ensinam os "professores", ou "autores" de livros "didáticos", sobre o exílio de Plínio Salgado, ou sobre a tentativa de derrubar a ditadura getulista no impulsivo ataque ao Palácio Guanabara, em maio de 1938, e que se constitui num momento heróico da verdadeira História do Brasil?

Lamentavelmente não são apenas "professores" que aceitam submeter sua inteligência à falsificação da História, escrevendo e conseguindo publicar a sua "história", independente de documentos comprobatórios. Este mesmo procedimento vamos encontrar em memorialistas recém-editados, como Juracy Magalhães que, referindo-se superficialmente ao Integralismo, repete simploriamente o que se encontra em livros "didáticos" do 2º grau, ou o embaixador Pio Correia que, na sua miopia, viu apenas pessoas idosas e crianças no grande desfile da Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, ou Jarbas Passarinho que, abdicando de sua inteligência, respeito ao próximo, sensibilidade - e até mesmo descendo a um nível de imprensa marrom -, forja um perfil de Plínio Salgado indigno de sua pena, ao mesmo tempo em que comprova, em página de exceção, a tortura a que foram submetidos os integralistas nas masmorras estadonovistas.

Razões de sobra, pois, não nos faltam em procurar reviver nas páginas de Jayme Ferreira da Silva: é a História sendo restaurada e abrindo as suas páginas àqueles que pretendam pesquisá-la com a honestidade devida e, consequentemente, posicionando-se nos tempos que estamos vivendo.

São Paulo, julho de 1996.

*  Σ.  Editor. São Paulo (SP).

Obs.: Este Artigo é a "orelha" da 2ª edição do Livro "A Verdade sobre o Integralismo", de Jayme Ferreira da Silva.

IMPORTANTE: Fui informado pelo Editor que uma pequena ponta de estoque de "A Verdade sobre o Integralismo" ainda está disponível. Os interessados devem entrar em contato com as Edições GRD pelo Telefone (0xx 11) 3277-9616. São poucos os exemplares disponíveis.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Paulo Chevalier recomenda "A Verdade sobre o Integralismo"

Paulo Chevalier no Círio de Nazaré

Observação preliminar: Enquanto tantos Integralistas perdem seu precioso tempo lendo e compartilhando bobagens de todo tipo, muitas até cunho anti-Integralista, o conhecido líder do laicato Católico maranhense, o Prof. Paulo Chevalier, que não é Integralista, lê, resenha e recomenda a Literatura Integralista. Espero que este exemplo frutifique entre os Integralistas!

A Verdade Sobre o Integralismo.

Paulo Chevalier*

O Integralismo é um movimento cívico-político-patriótico de grande relevância para a Nação Brasileira. Entre seus feitos principais estão a luta contra a Intentona Comunista de 1935, o impedimento do avanço do Nazismo Racista em nossas terras mestiças e uma vasta referência intelectual principalmente a partir das obras de Plínio Salgado e Gustavo Barroso. Com todo esse gabarito, logicamente  o Integralismo é duramente caluniado, principalmente pelos membros e puxa-sacos das Internacionais Vermelha ( que congrega toda sorte de partidos materialistas, chamados de socialistas e comunistas ) e Dourada ( que reúne os grandes magnatas da Terra, principalmente os sediados em Londres, Nova Iorque, Xangai, Hong Kong, Paris e Frankfurt ). Dessa forma, o livro A Verdade Sobre o Integralismo de Jayme Ferreira da Silva vem bem a desmentir tais calúnias internacionalistas fanáticas.

Jayme Ferreira da Silva foi oficial do Exército Brasileiro e Vereador na Câmara Municipal do Rio de Janeiro pelo Partido da Representação Popular. Justamente em uma sessão que o mesmo refutou treze calúnias históricas contra o Integralismo: 1) "Integralismo é Fascismo?”, 2) "O Integralismo não é Democracia ou o Integralismo é antidemocrático", 3) "O Integralismo é antidemocrático porque era favorável ao partido único e ao sistema corporativo ", 4) "É ou não verdade que o Sr. Gustavo Barroso entrou em entendimentos com o ministro da Propaganda da Alemanha, Sr, Joseph Goebels?“; 5) "Racismo e Integralismo", 6) "É ou não verdade que VV. Excelências colaboraram com os alemães no afundamento dos navios brasileiros?",  7) "É ou não verdade que o Sr. Miguel Reale uma série de livros nos quais defende: a) Partido Único; b) cessação da liberdade de imprensa; c) pena d morte; d) sistema unitário, contrariando toda convicção federalista no Brasil, e) ditadura, dentro da qual o Sr. Plínio Salgado seria o Deus e o Sr. Gustavo Barroso seu Messias?“,  8) "E ou não verdade que o financiamento da Ação Integralista Brasileira foi feito por meio de uma transação financeira com o Banco Alemão Transatlântico dessa cidade?", 9) "Como responde o Integralismo às acusações da 'Exposição do Tabuleiro da Baiana’?", 10) "Enquanto VV. EEx. estavam apodrecendo na prisão, o Sr. Plínio Salgado estava em Lisboa, num cômodo exílio declamando sonetos"; 11) "Foi ou não foi uma 'intentona integralista' o golpe de 11 de maio de 1938?". 12) "O Integralismo é Extremismo?". 13) "V. Excia. é representante do Partido Popular ou do Integralismo?".

Com argúcia, provas técnicas e documentais e um vasto conhecimento em História, Filosofia e Política, Jayme Ferreira da Silva refuta com galhardia todas as indagações acima lançadas. E ninguém menos ou mais que Carlos Lacerda estava entre os " inquisidores ". Dessa forma, é aconselhável, além de urgente, que se compre o livro A Verdade Sobre o Integralismo.

Não percam!!

* Professor. São Luís (MA).



IMPORTANTE: Fui informado pelo Editor que uma pequena ponta de estoque de “A Verdade sobre o Integralismo” ainda está disponível. Os interessados devem entrar em contato com as Edições GRD pelo Telefone  (0xx 11) 3277-9616. São poucos os exemplares disponíveis.

sábado, 11 de outubro de 2014

Resenha do Livro “A Verdade sobre o Integralismo”.


Suzan Fernanda*.

Quero expor aqui uma breve resenha sobre o livro "A verdade sobre o integralismo" que tem por intenção deixar claro a importância desta e outras obras para elucidar a origem e o porquê dos infundados ataques detratores da doutrina do Sigma.

SILVA, Jayme Ferreira. A verdade sobre o Integralismo: Respondendo a Carlos Lacerda e outros. São Paulo: Edições GRD, 1996.

Trata-se de uma sessão na Câmara Municipal dos Vereadores do Rio de Janeiro de 9 de julho de 1947, onde Jayme Ferreira Silva então vereador pelo extinto PRP (Partido de Representação Popular) e antigo militante ativo da Ação Integralista Brasileira, responde em discurso as interpelações detratoras da antiga AIB e seus representantes feitas por ex-membros do Partido Comunista do Brasil, tais como: Agildo Barata, Ary Barroso, Otávio Brandão, Pedro de Carvalho Braga, Aloísio Neiva Filho, o jornalista Carlos Lacerda dentre outros.

 As acusações feitas foram separadas em 13 artigos os quais foram sendo respondidos por sequência. Estas foram desde a ordem doutrinária quando se tem a acusação do Integralismo ser uma espécie de Fascismo, de ser antidemocrático e favorável ao partido único e regime corporativista nos moldes da Itália de Mussolini, do Integralismo ser racista, integralismo visto como extremista; acusações de ordem operacional quando diz que os integralistas ajudaram os alemães no afundamento dos navios brasileiros, que a AIB recebeu financiamento do Banco Alemão Transatlântico, ao que se refere ao golpe dado pelos integralistas para a derrubada do governo ditador de Getúlio Vargas a 11 de maio de 1938 como uma "intentona integralista"; e de cunho pessoal questionando a moral e integridade de Gustavo Barroso quando diz que o mesmo entrou em entendimento com o Ministro de Propaganda Alemã Joseph Goebels, de Plínio Salgado quando diz que "enquanto VV. Excia. estavam apodrecendo na prisão, o Sr. Plínio Salgado estava em Lisboa, num cômodo exílio declamando sonetos", e também acusações a Miguel Reale no questionamento do conteúdo de suas obras literárias. É colocado em cheque também uma exposição subterrânea intitulada "Tabuleiro da Bahiana" onde foram manipuladas fotografias de campos de concentração europeus para armar efeito contra os integralistas assim como alteração de fotografias de sedes integralistas onde plantaram bandeiras e símbolos nazistas que nunca estiveram presente nas mesmas, armas tidas como aprendidas em sedes integralistas em 1937 cujas fabricações das mesmas datavam de 1940/41, manipulação de propagandas nazistas como sendo cartas endereçadas a membros da AIB e manipulação de uma carta em alemão, não traduzida, de 1937 endereçada ao integralista Raimundo Martins por um líder nazista de nome Thielle morto desde 1934.

Baseando-se em provas documentadas, investigações ocorridas, registros internos da AIB, obras literárias produzidas durante e posteriormente a Ação Integralista Brasileira, Ferreira Silva vai respondendo uma a uma as interpelações impostas de maneira que no decorrido dia não houve contestação dos acusadores e nem possíveis réplicas.

O conteúdo do livro é sem dúvida um documento histórico da Pátria brasileira, pois nele se vê o "cair de máscaras" daqueles que sem prova que possa ser analisada acusou tão injustamente o único movimento verdadeiramente feito para a união do povo brasileiro e voltado para os problemas da nação e seus integrantes dos atos mais imorais.

Gumercindo Rocha Dorea em sua resenha inicial sobre a obra questiona: "Que sabem os jovens de hoje sobre a democracia integralista? Que sabe a mocidade de nossas escolas sobre a integração racial que a doutrina pliniana concretizou, ou que os líderes negros Sebastião Alves e Abdias do Nascimento participaram ativamente da Ação Integralista Brasileira? Que sabem os moços, que proporcionam fortunas aos donos dos famigerados "cursinhos", sobre a posição dos integralistas na II Grande Guerra de nosso século?".

Essa e outras questões são esclarecidas nas 72 páginas de um discurso sincero e documentado. A valiosidade das respostas provém do fato de que até hoje nenhuma das provas foi contestada, apesar de alguns pesquisadores ainda maldisserem com inverdades a AIB de forma não comprobatória. Para estes e todos que tem alguma dúvida da autenticidade da boa intenção integralista perante a Pátria Brasileira esta obra é indicada.

*∑. São Paulo (SP)



IMPORTANTE: Fui informado pelo Editor que uma pequena ponta de estoque de “A Verdade sobre o Integralismo” ainda está disponível. Os interessados devem entrar em contato com as Edições GRD pelo Telefone  (0xx 11) 3277-9616. São poucos os exemplares disponíveis.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O Integralismo é fascismo?

Capa da 2ª edição de "A Verdade sobre o Integralismo"


Jayme Ferreira da Silva
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Interpelação nº 1

Os Srs. vereadores Carlos Lacerda, Luiz Paes Leme, Ari Barroso, Tito Lívio, Adauto Cardoso, Osório Borba e Agildo Barata afirmaram nesta Casa que o "Integralismo é fascismo". Contestei, por errada, essa afirmação, declarando que "Integralismo não é fascismo". Passarei a esclarecer e comprovar com os necessários fundamentos, a minha contestação. Partirei da premissa de que o Fascismo é um Estado Totalitário e o Integralismo não aceita a doutrina do Estado Totalitário. O erro vem da confusão lamentável de que o Fascismo tem uma concepção totalitária do Estado, enquanto o Integralismo tem uma concepção totalitária do Universo, adotando, portanto, uma filosofia totalista. E esta concepção do Integralismo está em perfeita consonância com os maiores sociólogos, bem como com os princípios da doutrina cristã. Adolfo Posada, eminente sociólogo espanhol, citando o grande Albion Small, inglês de renome mundial, no que está de acordo, aliás, com a opinião de Stukemberg, alemão, e com a opinião de Ward e de Gidding, norte-americanos, declara, à pág. 316, do primeiro vol. do seu Tratado de Sociologia, que "a concepção do processo sociológico deve ser encarada de maneira total, sem que isso implique em totalitarismo". - A sociedade, portanto, deve ser encarada no seu conjunto, no seu todo, observando-se o Homem, na plenitude da sua personalidade, que deve ser respeitada e os grupos naturais como projeções dessa própria personalidade. Esses grupos naturais são o grupo familiar, o grupo profissional, o grupo político e o grupo religioso, cuja harmonia deve ser mantida, evitando-se a hipertrofia de qualquer deles em detrimento dos demais. A concepção do processo sociológico, portanto, assemelha-se a uma árvore, que cresce e vai dando os seus galhos e ramos, de baixo para cima. Concebe-se o Todo - e daí o absurdo da concepção do Estado totalitário, que, sendo um dos grupos, não pode logicamente absorver os outros - a parte não pode conter o todo. O grupo político - e quem diz filosofia política, hoje, diz teoria do Estado, não pode ter esse caráter absorvente, hipertrofiado, submetendo ao seu arbítrio os grupos naturais e os direitos inalienáveis da pessoa humana. Para que essa harmonia entre grupos naturais seja possível é preciso conceituar devidamente dois princípios que costumam chocar-se - o da Autoridade e o da Liberdade. Tal, em rápidas pinceladas, a concepção do processo sociológico moderno. Dentro dessa concepção se enquadra, plenamente, o Estado Totalitário de supervisão, caráter que pode existir no próprio regime liberal-democrático, pela visão de conjunto ou seja, pela visão total dos problemas. O que é inaceitável é o Estado totalitário absorvente, que submete tudo e todos ao poder estatal, não reconhecendo nenhum direito a não ser o do Estado. Esse Estado totalitário, odioso, antinatural e anticristão, é enquadrado no chamado verticalismo de Spengler, pois ele vem de cima para baixo, esmagando os grupos naturais e a pessoa humana.

 Nesse grupo do estado totalitário absorvente, enquadram-se o Fascismo, o Nazismo e o Comunismo, com suas místicas peculiares, a da Pátria, a da Raça ou da Divinização do Trabalho, submetendo todos os impulsos naturais do homem, todos os seus direitos e liberdades, bem como todos os grupos naturais, ao poderio do Estado. Nesse particular, reforçamos nossa afirmação com palavras de Jacques Maritain em seu livro Humanismo Integral, quando "cataloga" o Fascismo e o Nazismo na mesma linha do Comunismo, dizendo que têm todas suas raízes na negação dos valores espirituais da Igreja e que o "totalitarismo, seja qual for, contraria a ideologia cristã".

Nada mais claro: o totalitarismo, seja qual for, contraria a ideologia cristã - portanto, contrário, do mesmo modo, à doutrina da Igreja. Nenhuma dúvida pode existir nesta Casa de que a doutrina da Igreja é radicalmente contrária a qualquer forma de totalitarismo. Não quero, pois, senão de passagem, relembrar nesta Casa os documentos que deve se alicerçar a crítica honesta e abalizada. São eles: O Manifesto de Outubro, de 1932, Diretrizes Integralistas, de 1933, Estatutos da Ação Integralista Brasileira, de 1934, e o Manifesto-Programa, de 1936, documentos esses que se encontram transcritos na íntegra no livro O Integralismo Brasileiro perante a Nação, há pouco dado à publicidade.

 Faço um convite aos homens de bem para que leiam esses documentos e, depois, com necessário conhecimento de causa, poderão discutir analisar ou criticar no campo superior das ideias e dos princípios. O mais, fora dessa orientação, é mera agitação que foge ao sentido analógico que deve presidir o esclarecimento em nossas mútuas divergências no campo ideológico político social.

 O primeiro documento inicia o primeiro capítulo com a seguinte afirmação: "Deus dirige o destino dos povos". "O homem deve praticar sobre a terra as virtudes que o elevam e aperfeiçoam. O homem vale pelo trabalho, pelo sacrifício em favor da família, da Pátria e da sociedade"...

I
Nas Diretrizes Integralistas, assim começa esse documento: "O Integralismo pretende construir a sociedade segundo a hierarquia de seus valores espirituais e materiais, de acordo com as leis que regem os seus movimentos e sob a dependência da realidade primordial e absoluta, que é Deus.

II
Essa hierarquia, na qual se fundam o princípio da Autoridade, faz prevalecer o Espiritual sobre o Moral, o Moral sobre o Social, o Social sobre o Nacional e o Nacional sobre o Particular".

Os Estatutos da Ação Integralista Brasileira declaram textualmente no seu art. III: "Como partido político, a Ação Integralista Brasileira objetiva a reforma do Estado, por meio da formação de uma nova cultura filosófica e jurídica, de sorte que o povo brasileiro, livremente e dentro das normas da Constituição de julho de 1934 e das leis em vigor, possa assegurar, de maneira definitiva, evitando lutas entre Províncias, entre classes, entre raças, entre grupos de qualquer natureza e principalmente evitando rebeliões armadas:
a) o culto a Deus, da Pátria e da família;
b) a Unidade Nacional;
c) o princípio da Ordem e da Autoridade;
d) o prestígio do Brasil no Exterior;
e) a Justiça Social, garantindo-se aos trabalhadores a remuneração correspondente a todas as suas necessidades e à contribuição que cada qual deve dar a economia nacional;
f) a paz entre as famílias brasileiras e entre as forças vivas da Nação, mediante o sistema orgânico e cristão das corporações;
g) a Economia, que garante a intangibilidade da propriedade até o limite imposto pelo bem comum; a iniciativa particular orientada no sentido da maior eficiência da produção nacional; a soberania financeira da Nação; a circulação das riquezas e o aproveitamento dos nossos recursos naturais em benefício o povo brasileiro; a prosperidade e a grandeza da Pátria;
h) a liberdade da pessoa humana dentro da ordem e da harmonia social;
i) a grandeza e o prestígio das classes armadas;
j) a união de todos os brasileiros;

O quarto documento básico, o Manifesto-Programa, começa com esta afirmação:
"1- O integralismo é um movimento que objetiva a felicidade do povo brasileiro, dentro da justiça social, dos princípios verdadeiramente democráticos, garantida a intangibilidade dos grupos naturais e assegurada, de maneira definitiva, a grandeza da Pátria, que deverá ser elevada ao seu máximo esplendor".
Infelizmente, Srs. Vereadores, não é possível nos determos mais longamente na análise desses documentos que, no futuro, serão objeto de louvor das gerações que nos sucederem, pela limpidez dos seus conceitos e pela magnífica sistematização filosófica e doutrinária dos seus rumos políticos e sociais. Nenhuma retificação necessito fazer, relativamente a essas ideias e a esses princípios, que reafirmo hoje, na plena consciência das minhas responsabilidades. Tal é a justeza dos conceitos integralistas que a Igreja, a mais desassombrada, senão a primeira, na condenação aos totalitarismo de qualquer ordem, a Igreja, pelas vozes mais autorizadas, proclamou a elevação e a aceitação do Integralismo, doutrinária como filosoficamente.
E, Srs., sejamos justos. Se a Igreja considerasse o Integralismo no rol dos Estados totalitários não só não o aceitaria, como ao contrário, lhe lançaria a mais completa condenação. Ao invés disso, as maiores expressões da catolicidade brasileira, em repetidas oportunidades, manifestaram-se clara e espontaneamente sobre o Integralismo, aplaudindo os seus princípios e as suas atitudes em prol do levantamento espiritual, cívico e moral do povo brasileiro.

Quero começar pela opinião das mais abalizadas, do eminente sociólogo Sr. Alceu de Amoroso Lima, chefe incontestável durante longos anos, do laicato católico. Solicitado a definir-se sobre o Integralismo em face do Catolicismo, por expressões do maior destaque, como o grande pensador Tasso da Silveira, que pretendia ingressar naquele movimento, o Sr. Amoro Lima dedicou, em seu livro Indicações Políticas, um substancioso capítulo, sob o título "Catolicismo e Integralismo", que vai da pág. 186 à pág. 220, da edição de 1936. É uma das mais substanciosas críticas sobre o assunto. Começa recordando a personalidade de Jackson de Figueiredo, considerado com razão, como precursor do Integralismo, citando que foi Jackson quem trouxe ao conhecimento dos brasileiros a obra de Antônio Sardinha, criador do Integralismo português. Termina essa crítica reconhecendo o valor do Integralismo, em cujas fileiras qualquer católico, sem função de comendo na Ação Católica, poderia ingressar, levando o seu apoio quer no campo ideal, como também no campo real ou prático. Outra autoridade, infelizmente desaparecida há pouco mais de dois anos, Lúcio José dos Santos, cultura que transpôs os limites da Pátria; tal como Amoroso Lima, também se pronunciou em exaustiva análise o grande pensador mineiro, que estuda e esgota o assunto, com aquela sua profundidade de conhecimentos, abordando o conceito filosófico e jurídico do Estado, professado pelo Integralismo, o sistema de organização social propugnado por esse movimento, terminando pela análise do plano de concordata e da sua aceitabilidade ou não pelos católicos, em face do "Syllabus" e da doutrina da Igreja. Suas conclusões dispensam qualquer citação, pois Lúcio José dos Santos sempre reafirmou suas convicções integralistas, ainda poucos anos antes de sua morte, quando em 1941 tive ocasião de prestar-lhe uma homenagem pessoal com crianças, na redação da revista Ra-Ta-plan. Citadas essas duas autoridades do laicato católico, não será demais lembrar algumas das opiniões de seis arcebispos e bispos, favoráveis inteiramente aos princípios preconizados pelo Movimento Integralista. Leiamos apenas as opiniões consignadas nas páginas 71, 72 e 73 do livro O Integralismo Brasileiro perante a Nação, que tenho neste momento em mãos. Nessas páginas estão transcritas as opiniões de Francisco, o bispo de Campinas; Luiz, de Uberaba; Otaviano, arcebispo de Campos; José, bispo de Bragança; José, bispo de Niterói; Inocêncio, bispo de Campanha; Antônio; arcebispo de Jaboticabal; Manuel, Bispo de Terrado; Fernando, bispo de Jacarezinho; Francisco, arcebispo de Cuiabá e Joaquim, arcebispo de Florianópolis. Diante de tais opiniões, que representam a maior expressão de cultura e saber, acusar o Integralismo de Fascismo, ou seja, de totalitário, no aspecto da concepção estatal é o mesmo que taxar a Igreja de fascista e totalitária, como, aliás, já se fez aqui, de maneira tão impensada e apressada, porém, que o próprio vereador que fez tal declaração recuou com mais pressa ainda da errônea e falsa invectiva.
Creio que, dentro do limite dos meus conhecimentos, deixei bem claro que Integralismo não é e nunca foi Fascismo pois este, como afirmei, é um estado totalitário do tipo absorvente, enquanto aquele adota uma concepção totalitária do Universo, na qual o Estado é parte e não o todo. Coisas, portanto bem distintas para a alta inteligência desta Casa. Trouxe os documentos básicos daquele glorioso movimento. Aduzi opiniões de personalidades as mais eminentes. Não pensem, entretanto, que tenha eu, de leve sequer, desvirtuado uma vírgula que seja no que acabo de afirmar; também não estamos improvisando uma defesa póstuma, mas revivendo os próprios princípios básicos do Integralismo, proclamados há cerca de 15 anos!
Já em 1936, no jornal A Offensiva, Plínio Salgado esclarecia o assunto num artigo feito como perguntas e respostas, sobre o título - Estado totalitário e estado integral. Esse artigo acaba de ser transcrito num dos últimos livros desse eminente patrício, que representa um dos pontos máximos do pensamento contemporâneo, Madrugada do Espírito. Nesse artigo, transcrito à página 157, desse livro, a primeira pergunta é esta: "Os integralistas querem o Estado Totalitário? - Não, os integralistas querem o Estado Integral". - A seguir, o autor mostra que são coisas completamente distintas o Estado Totalitário e o Estado Integral, sendo este por excelência o estado ético, que não pode ser confundido tampouco com o estado Leviatan de Hobbes que esmaga o indivíduo, nem com o estado de Locke ou de Rousseau, porque esse faz a hipertrofia do indivíduo e ambos se encontram nas últimas consequências do estado liberal, isto é, no comunismo bolchevista. Aconselho a leitura desse artigo, porque o mesmo, escrito em 1936, esclarece de maneira completa e insofismável essa lamentável confusão, cuja repetição poderá trazer aos repetidores eiva de má fé, porque já não pode existir mais ignorância sobre o assunto.
Terminarei esclarecendo à interpelação nº 1, afirmando que Plínio Salgado, há 22 anos, no seu primeiro livro O Estrangeiro, foi uma das primeiras vozes a erguer-se vigorosamente na condenação ao Fascismo de importação.
Leia-se na 4ª edição desse livro, publicada em 1926, pág. 265: "Juvêncio fez uma excursão com os alunos ao Salto do Avanhandava. Zé Candinho acompanhou-o. Juvêncio levava três papagaios, presente que fizera a Carmine Mondolfi e do qual exigira devolução. Os três pássaros verde-amarelos aprenderam e cantavam no viveiro do palacete da avenida, o hino fascista de Mussolini. E uma grande amargura entrou no coração do mestre-escola. Exigiu de Carmine a reentrega dos pássaros inconscientes.
Uns caboclos de Santa Bárbara acercaram-se curiosos...
E os papagaios de Carmine gritavam roucos: Giovinezza, giovinezza, primavera di bellezza!
Uma grande arara gargalhou gostosa no alto do ipê. Juvêncio de pé, sobre uma rocha exclamou:
- Quem ri desta cachoeira?
Agarrou então os papagaios - Giovinezza! Giovinezza e, um por um, os foi estrangulando, atirando-os na onda brava da catadupa.
- Indignos todos os seres que falam como os papagaios, sem pôr nas palavras a força e o calor da terra! Indignos todos os homens que falam com os lábios e acabam transformando-se na insensibilidade dos fonógrafos “...
E nesse mesmo livro, Plínio Salgado, que hoje vê a luminosa doutrina que fundara entre nós tão incompreendida e tão desvirtuada, Plínio Salgado, nesse mesmo livro, revela-se o grande psicólogo dos fenômenos sociais e políticos, prevendo com impressionante clarividência os trágicos acontecimentos que se avizinhavam no mundo conturbado de hoje. Leia-se à pág. 18, 1ª edição, 1926: "A Rússia lá ficara como uma cordilheira de gelo que deveria desabar, inundando o mundo. Geleira da civilização futura deflagrando-se, e transbordando a terra! Ivan tinha a impressão de cheirar a terra verde. Sentia, sob seus pés, alguma coisa firme e vigorosa, que o apoiava e o convidava a marchar. Pensava: - As instituições americanas repousam na rocha viva de direitos do homem. Quando desabar o dilúvio russo, as suas últimas ondas virão morrer aqui de encontro a estas paredes de Imigração, onde há um dístico, à maneira de sentença, a encimar um arco de triunfo. E a América, então reconstruirá o que estiver destruído no mundo".
Srs., Vereadores:
Não exagero, afirmando que deve ter ficado bem claro que Integralismo e Fascismo, doutrinária, filosófica ou sociologicamente, são coisas bem distintas. Não devo alongar-me, trazendo ao conhecimento da Casa a vasta obra realizada pelo Integralismo, cujos livros aí estão, demonstrando a capacidade criadora da nossa inteligência indígena. Devo, porém, lembrar ainda que o caráter anti-totalitário do Integralismo ficou bem patente no Manifesto-Programa de 1936 quando condenou a fórmula totalitária da permanência do Poder nas mãos de um ou de um mesmo grupo de governantes, proclamando, ao contrário, o princípio da rotatividade do Poder, sugerindo a eleição presidencial por um período de sete anos.
Chamem de fascistas aos integralistas, como se tem chamado de fascista ao Papa e ao Vaticano; como se tem chamado de fascista e de reacionário ao governo inglês e ao governo norte-americano; como se tem chamado de fascista, ultimamente o presidente Truman... - Tudo isso robustecendo aquelas magníficas palavras de Crurchill que, ainda primeiro-ministro da Inglaterra a 8 de dezembro de 1944, declarava que - todos aqueles que não estivessem de acordo com os planos da União Soviética seriam considerados reacionários fascistas.
 Tudo isso evocando as palavras claras e definidoras de Zinoviev, que em seu livro La Troisième International au Travail, reportando-se à enciclopédia soviética, afirma que - "todas as forças que se opuserem à revolução internacional do proletariado, devem ser consideradas e tratadas como fascistas".
Atenção, pois, senhores. A técnica bolchevista é tão perfeita que os homens de boa fé, irrefletidamente, sem o sentir, servem aos secretos desígnios soviéticos, obedecendo, sem o saber, às palavras de ordem de Moscou.
Ainda uma vez devo recordar a ordem dada pelo Komimtern, em um documento trazido por mim a esta Casa, no texto original em francês, no qual se ordenava à seção do Brasil do Partido Comunista internacional, que devia concentrar o fogo contra os chefes integralistas, fazendo-o passar por agentes dos grupos mais reacionários, bem como atacar esses chefes e a política de governo classificando-os de nazistas.
Finalmente, Srs. Vereadores, devo apresentar a V. Exª, o passaporte que tenho em mãos e que acabo de receber de Buenos Aires. Para aqueles que intencional e calculadamente teimam em chamar os antigos integralistas de fascistas, como fizeram recentemente os líderes comunistas Pedro Braga, Agildo Barata e Otávio Brandão, essa é a melhor resposta. Este passaporte é de Francisco Caruso Gomes, ora em Buenos Aires. Comprova devidamente a má vontade com que as autoridades fascistas trataram os exilados brasileiros, quando refugiados na Itália em 1938 e 1939. O governo fascista, preocupado em agradar à chancelaria do Brasil, deu a brasileiros passaportes destinados a indivíduos "sem nacionalidade ou de nacionalidade duvidosa". Eram esses documentos os que davam aos judeus e só eram válidos para a Itália e para a Alemanha. Assim, ficavam seus detentores virtualmente prisioneiros na Itália, pois ninguém se atreveria ir à Alemanha com esse passaporte judeu. Os exilados receberam esse passaporte a 1º de setembro de 1938, quando um deles se encontrava gravemente enfermo no hospital San Giovanni, e deveriam renová-lo de cinco em cinco meses. Negava-se trabalho aos brasileiros exilados. E na capa deste passaporte, como V. Exªs poderão comprovar, lê-se em italiano e em francês respectivamente: "Regno D'Itália-Titolo D'Identitá e Di Viaggio per persona senza Nazionalitá o Di Nazionalitá Dubbia. Titre d'identité et de voyage pour personnes sans naionalité ou de nationalité douteuse'.
Seja esse documento o selo que desejo apor definitivamente na boca dos caluniadores do Glorioso Movimento Integralista.
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SILVA, Jayme Ferreira da. A verdade sobre o Integralismo: Respondendo a Carlos Lacerda e outros. 2. ed. São Paulo: Edições GRD, 1996. Transcrito integralmente da pág. 7 até a pág. 18.




IMPORTANTE: Fui informado pelo Editor que uma pequena ponta de estoque de “A Verdade sobre o Integralismo” ainda está disponível. Os interessados devem entrar em contato com as Edições GRD pelo Telefone  (0xx 11) 3277-9616. São poucos os exemplares disponíveis.

domingo, 7 de setembro de 2014

Carta de Plínio Salgado a Manoel Pinto, datada de Milão, 04 de Julho de 1930.

Estou hoje convencido de que o Brasil não póde continuar a viver na comedia democratica. Ahi, eu já era um descrente em relação ao suffragio. A eleição que juntos fizemos (1), inspirou-me uma profunda repulsa pelo regimen. O artigo que, logo depois, escrevi no "Correio", contem os cavallos de Troya de meu pensamento revolucionario. De ha tempos que me impressiona o enfraquecimento do poder central; as unanimidades estaduaes; a politica economico-financeira de cada Estado, consultando interesses de grupos; a falta de unidade no apparelhamento da instrucção publica, da hygiene, da justiça; a ausencia de um apparelhamento de funcção technico-commercial que seria precioso para a nossa expansão no Exterior; a situação deprimente dos nossos parlamentares, lacaios do poder ou demagogos liberaes-democraticos, verdadeiros somnambulos que não atinam com a causa primeira dos males da Nação; o feiticismo das formulas constitucionaes, burladas frequentemente, mas respeitadas como Budhas, o que occasiona a descrença do Povo; a nossa defesa nacional, sem efficiencia nenhuma, um exercito fabrica de revoluções, as lutas em cada successão presidencial, desorganizando a vida do paiz e gastando rios de dinheiro com os jornalistas venaes e os politicos que tresandam a podridão, a imprensa vergonhosa que temos; a advocacia administrativa, cancro nacional, e a protecção politica, lepra deformadora.

Numa situação como essa, os dois perigos, que os governos não veem; não creem: - o espírito de regionalismo que se accentua dia a dia e que nos leva a caminho do separatismo, e a questão social, que nos arrastará, de um momento para outro, ao bolchevismo. Os que teem a noção dessas cousas são chamados ahi loucos, sonhadores e poetas. Os homens de juizo são os inconscientes, de espirito burocratico, os administradores de fachada e os homens de negocios... E o que ha de peor no Brasil é o materialismo grosseiro em que vivemos, a falta de coragem, a incapacidade para o sacrificio, a ausencia absoluta de espirito nacional. O Imperio legou á Republica um paiz unido, homogeneo, vibrando pelo mesmo coração. A Republica, com mais vinte ou trinta annos compeltará sua obra de dissociação... É necessartio agirmos com tempo de salvarmos o Brasil. Tenho estudado muito o fascismo: não é exactamente esse o regimen que precisamos ahi, mas é cousa semelhante. O fascismo, aqui, veiu no momento preciso, deslocando o centro de gravidade da politica, que passou da metaphysica juridica, para as instituições das realidades imperativas. O Estado Fascista, sendo uma concepção mais ampla do que os limites traçados ao conceito do Estado nos regimens de indole liberal-democratico, veiu interferir em varias actividades, modificando lineamentos anteriores do direito constitucional, do direito administrativo, e influindo mesmo na esphera civil, commercial e criminal, porque o Fascismo não é propriamente uma dictadura (como está seno o governo da Russia, emquanto não chega á pratica pura do Estado Marxista), e um regimen (2). Penso que o Ministerio das Corporações é a machina mais preciosa. O trabalho é perfeitamente organizado. O capital é admiravelmente controlado. O parlamento é constituido pela representação de classes. Esta ultima cousa seria preciosa num paiz novo como o Brasil por dois motivos: teriamos precisão TECHNICA nas leis, e amorteceriamos o espirito regional nos parlamentos estaduaes. Ha outras cousas interessantissimas aqui.Volto para o Brasil disposto a organizar as forças intellectuaes esparsas, coordenal-as, dando-lhes uma direcção iniciando um apostolado. Contando eu a Mussolini o que tenho feito, elle achou admiravel o meu processo, dada a situação differente do nosso paiz. Também como eu, elle pensa que antes da organização de um partido, é necessario o movimento de idéas. Aliás, a minha orientação não teve nenhuma influencia fascista. O encontro com Mussolini foi apenas o momento historico em que tomei uma decisão. É a fascinação de Roma. Em Roma tudo nos convida á luta. A nossa personalidade cresce agressivamente, entre os vestigios dos povos que passaram a vida lutando. Uma manhã, no alto do Janiculo, junto á arvore de Torquato Tasso, com o panorama de Roma a meus pés - o Colyseu e o Vaticano, o Forum Romano e as Thermas de Caracalla, o Aventino e o Polatino, e os palacios seculares que sobem e descem pelas collinas, eu senti uma saudade immensa do Brasil. E sentindo este amor da Patria, pensei em todas as marchas da cidade Eterna e reflecti sobre a necessidade que temos de dar ao povo brasileiro um ideal, que o conduza a uma finalidade historica. Essa finalidade, capaz de levantar o povo é o Nacionalismo, impondo ordem e disciplina no interior, impondom a nossa hegemonia na America do Sul, principalmente no Prata. Voltarei para combater esse combate cheio de enthusiasmo.

- Nós precisamos mesmo reformar esse Brasil!

- Recebi uma carta de Ribeiro Couto, longa e com as mesmas idéas politicas minhas. Hoje, no Brasil, ha bem um milheiro e pouco de moços pensando assim. Portanto, porque não fazemos a nossa entrada na Historia?


(a) PLINIO (3).

Notas do Blog:
1 - Refere-se às Eleições de 1928, em que Plínio Salgado foi Eleito Deputado Estadual, pelo Partido Republicano Paulista.

2 - Lembramos que Plínio Salgado  descreve o Fascismo que conheceu em 1930, e que se modificaria e muito nos anos subsequentes.

3 - Foi conservada a ortografia da época. 

Transcrito integralmente das páginas 18, 19, 20 e 21 do Livro Plínio Salgado. 1. ed. São Paulo: Panorama, 1936.